UE vai mobilizar número recorde de bombeiros para a época de incêndios

UE vai mobilizar número recorde de bombeiros para a época de incêndios

A Comissão Europeia apresentou esta terça-feira os meios que vai ter disponível para apoiar os Estados-membros na época de incêndios.

Andrea Neves - RTP Antena 1 /
Daniel Cole - Reuters

Com o aumento dos riscos de incêndios florestais em toda a Europa, Bruxelas está a ajudar a financiar e a coordenar a mobilização de um número recorde de bombeiros, aeronaves e especialistas em emergências ao abrigo do Mecanismo Europeu de Proteção Civil.

Um reforço de meios aéreos e de bombeiros preposicionados no terreno para prevenir e combater os fogos florestais este ano.

À medida que as épocas de incêndios florestais se tornam mais longas, mais precoces e mais destrutivas, a Comissão está a assegurar que bombeiros, aeronaves e conhecimentos especializados adicionais estejam prontos para apoiar os serviços nacionais quando e onde o risco for maior.

Serão 22 aviões de combate a incêndios e 5 helicópteros da frota da União Europeia os que vão estar prontos para apoiar os países europeus. Portugal vai receber dois aviões ligeiros.

“Bombeiros de todo o continente compartilham uma missão: proteger pessoas, casas e florestas. Como parte da nossa maior operação de sempre, quase 800 bombeiros serão posicionados estrategicamente onde o risco é maior. Com aeronaves europeias prontas para serem mobilizadas a qualquer momento. Esta é a solidariedade europeia em ação", Presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.

Ao todo, 777 bombeiros de 14 países europeus serão estrategicamente colocados em zonas de alto risco. É o número mais elevado desde 2022 como explicou a comissária para a gestão de crises.

“Vamos ter mais bombeiros no terreno antes que os incêndios comecem, estamos a posicionar mais bombeiros europeus em toda a Europa, de junho a setembro. Quase 800 bombeiros de 14 países europeus serão posicionados em áreas de alto risco no Chipre, França, Itália, Espanha, Portugal e Grécia”.

Portugal vai ter 2 aviões ligeiros no Mecanismo Europeu e bombeiros que vão chegar de Malta e da Letónia entre 16 de julho e 31 de agosto, num total de 60 bombeiros, primeiro os da Letónia e depois os de Malta. Vão ficar sediados em Almeirim e Trancoso, prontos para serem integrados em dispositivos e equipas nacionais no combate aos fogos.

Portugal vai receber dois aviões ligeiros e bombeiros a 16 de julho. Foi o pedido feito por Portugal para já, explica Hadja Labib.

“Este é um pedido de Portugal. Não podemos impor a nossa opinião. Estamos a posicionar bombeiros em coordenação com os Estados-Membros, portanto não é algo que decidimos enquanto Comissão. Trabalhamos em conjunto com as autoridades locais e nacionais”.

João Silva, o Coordenador de Políticas de Logística e Fogos Florestais do Mecanismo Europeu de Proteção Civil, explicou, em conferência de imprensa organizada pela Representação da Comissão Europeia em Portugal, “que a movimentação de bombeiros é organizada entre os países tendo em conta a disponibilidade dos países que enviam e a necessidade dos países que recebem”.

A Comissária com a pasta da gestão de crises admite que se não for suficiente, o sistema pode ser adaptado.

“De qualquer forma, se não for suficiente, podemos adaptar a resposta. Como sabem, no verão passado começámos com cerca de 700 bombeiros, mas aumentámos o número porque a situação era dramática: 1 milhão de hectares foram queimados. E, por isso, sei que adaptámos a nossa resposta. Temos agilidade para isso”.

João Silva, anunciou que os dois aviões Fire Boss que Portugal empresta ao Mecanismo Europeu – e que ficam sediados em Castelo Branco – fazem parte do mecanismo nacional, ou seja, são aviões alugados pelo Estado ou dos quais Portugal é proprietário. Estão em prontidão, “com os custos de manutenção e eventual mobilização comparticipados a 75 por cento pela Comissão Europeia”.

Podem ser mobilizados para fora de Portugal, se o país não os estiver a utilizar.
“Todos os dias de manhã, em época de incêndios, é feita uma reunião para que os países possam dizer os meios que têm disponíveis e operacionais”, explica João Silva, “porque pode haver necessidades de manutenção ou de utilização no país que fazem com que os aviões, cedidos pelos Estados-membros, não estejam disponíveis para o Mecanismo Europeu no caso de outro país pedir ajuda”.

Esta disponibilidade de meios nacionais para integrar o Mecanismo Europeu acontece nesta fase de transição em que o RescEU ainda só tem um meio aéreo próprio – um helicóptero na Roménia – mas já fechou contratos para a aquisição de 10 aviões canadair, dois dos quais vão ficar sediados em Portugal e devem chegar no fim de 2029.

Ao longo da temporada de incêndios florestais, especialistas do Centro de Coordenação de Resposta a Emergências vão estar 24 horas por dia, 7 dias por semana a seguir de perto os riscos e apoiar os destacamentos usando análises meteorológicas e científicas.

O Sistema Europeu de Informação sobre Incêndios Florestais também vai fornecer previsões contínuas de risco de incêndios florestais, enquanto serviços de satélite da UE, como o Copernicus, estarão prontos para fazer o mapeamento de emergência e análise geoespacial para apoiar a tomada de decisões no terreno.

Além disso, a UE também lançará uma nova estação regional europeia de combate a incêndios no Chipre em 2026, para fortalecer as capacidades de preparação e resposta a incêndios florestais em toda a Europa e na região do Mediterrâneo Sul.

A estação regional de combate a incêndios do Chipre acomodará o pré-posicionamento de seis aeronaves e também vai servir de campo de exercícios para profissionais de proteção civil com o objetivo de apoiar a troca de conhecimentos e melhores práticas.
O mecanismo Europeu
Com incêndios cada vez mais cedo e cada vez mais a norte, a União Europeia considera fundamental uma maior prontidão.

João Silva, o Coordenador de Políticas de Logística e Fogos Florestais do Mecanismo Europeu de Proteção Civil esclareceu que este ano já houve 4 ativações do mecanismo: a 30 de abril por um incêndio florestal que s prolongou por 4 dias nos Países Baixos, a 1 de maio no Parque Nacional da Suiça Boémia e a 3 de maio por um incêndio de grandes dimensões na República Checa.

Visão geral da frota de verão de 2026 apoiada pelo Mecanismo de Proteção Civil da UE:

  • Croácia: Dois aviões anfíbios médios.
  • Chipre: Dois aviões leves (além de quatro aviões leves financiados por outros instrumentos da UE).
  • Chéquia: Dois helicópteros.
  • França: Quatro aviões anfíbios médios e um helicóptero.
  • Grécia: Quatro aviões anfíbios médios.
  • Itália: Dois aviões anfíbios médios.
  • Macedónia do Norte: Dois aviões leves.
  • Portugal: Dois aviões leves.
  • Romênia: Um helicóptero.
  • Eslováquia: Um helicóptero.
  • Espanha: Dois aviões anfíbios médios.
  • Suécia: Dois aviões leves.

Recorde-se que através do Mecanismo de Proteção Civil da UE, os países afetados por incêndios florestais podem solicitar assistência operacional quando as capacidades nacionais estiverem sobrecarregadas. O Centro de Coordenação de Resposta a Emergências garante a continuidade das operações, coordenando as ofertas de assistência e apoiando o destacamento de pessoal, equipamentos e capacidades especializadas fornecidas pelos países participantes.

Um elemento fundamental da estrutura europeia de resposta a catástrofes é o Fundo Europeu de Proteção Civil, que reúne recursos de resposta pré-comprometidos disponibilizados pelos países participantes para rápida mobilização. Estes incluem aeronaves de combate a incêndios, equipas terrestres, equipas médicas de emergência, abrigos, capacidades e especialistas treinados para operar em ambientes desafiadores.

Para complementar estes recursos, a UE criou o rescEU, uma reserva estratégica de capacidades de emergência concebida para prestar apoio adicional durante crises de grande escala. Inclui aviões e helicópteros de combate a incêndios, capacidades de evacuação médica, hospitais de campanha e reservas estratégicas de enchimentos essenciais.

Os recursos do rescEU são financiados pela UE e podem ser mobilizados quando as capacidades nacionais e conjuntas forem insuficientes.

A UE está também a reforçar a sua abordagem à gestão integrada do risco de incêndios florestais. Apresentada em março de2026, a Comunicação reconhece que os incêndios florestais devem ser combatidos através da prevenção e preparação para responder e recuperar.

Isso inclui o apoio às paisagens por meio de gestão sustentável da terra e restauração de ecossistemas, avaliações de risco de incêndios florestais aprimoradas e sistemas de alerta precoce, preparação comunitária reforçada e cooperação mais forte. A abordagem visa reduzir os riscos de incêndios florestais, aumentando a resiliência a longo prazo da Europa a temporadas de incêndios cada vez mais frequentes e intensas.
Tópicos
PUB